"Hoje é o dia em que eu estabeleço que sei e sou o suficiente para começar uma guerra? É agora que eu começo? Me diga, porque você me tem construído mundos inteiros aos pés dos meus ouvidos, e até então só quero que assuma o comando da situação. Assim sendo, estabeleço eu mesma o dia e a hora, afinal de contas, você me fez livre. Nos fizemos livres um do outro. Ainda bem que você sabe de tudo, e sempre esteve comigo. Na verdade era você o tempo todo, e guerra sempre houve, então me diga: É hoje o dia em que eu estabeleço que sei e sou o suficiente para tornar-me consciente do que realmente está acontecendo? Não. Não digo "consciente do mundo", porque mundo é uma palavra que liga tudo o que o ser humano avista e toca à noção de eternidade imóvel do espaço que é possível ser alcançado pela sua pequena mente. Ele chama "mundo". m u n d o M U N D Om u n d o M U N D Om u n d o M U N D Om u n d o M U N D O.
Refiro-me àquela promessa que você me fez quando nasci, há muito, muito tempo atrás, algo sobre imortalidade e paraíso."
Elvis Aaron Presley nasceu em 08 de janeiro de 1935. Foi o sobrevivente
de uma dupla de gêmeos, já que o irmão Jesse não resistiu ainda na sua
gestação. Na sua educação familiar, aprendeu a respeitar todas as
pessoas, independente de raça, o que influiu nas suas referências
musicais, que variavam entre os spirituals, a voz operística de Mario Lanza e o blues.
Sua
carreira começou acidentalmente. Ele era um jovem caminhoneiro de 20
anos de idade. Elvis apenas foi gravar um compacto para dar de presente
para sua mãe, quando o técnico de gravação se surpreendeu tanto com o
talento vocal do jovem quanto pela impecável expressividade no modo de
cantar. Havia feito outras gravações experimentais desde 1953, mas
nesta, através da música "That's All Right, Mama", o empresário Sam
Philips, da Sun Records, ao ser avisado pelo técnico de gravação e ter
conferido o talento do cantor, se entusiasmou e chamou Elvis para
assinar um contrato com a gravadora.
1954 e 1955 foram os anos em
que Bill Haley & His Comets haviam lançado o rock'n'roll ao sucesso
estrondoso e trabalhavam, além de "Rock Around The Clock", o primeiro
sucesso, outros hits. Mas
depois disso o jovem Elvis Presley somou ao estilo uma nova performance,
favorecida pela aparência de galã do cantor e pela sua voz potente e
sensual. Tão logo começou a fazer sucesso, desenvolvendo um carisma
peculiar, além de uma dança que hoje soa bastante comportada, mas que
assustava os moralistas da época.
Só um parêntesis: que não
pensem os adeptos do "pagodão" pós-Tchan ou do "funk carioca" que seus
rebolados venham a ter, no futuro, a respeitabilidade da dança de Elvis
Presley. Primeiro, porque Elvis não colocava o rebolado acima da música
(que tinha sua qualidade). Segundo, porque não dá para comparar a dança
de Elvis, que não era erotismo gratuito, com a grosseria explícita de
pagodeiros baianos ou funqueiros cariocas. Estes investem na vulgaridade
extrema e na idiotização cultural que só um etnocentrismo apologético,
que vê o povo como "bons selvagens", pode aceitar.
Logo em 1955,
Elvis conhece um estrangeiro que usava o pseudônimo de Tom Parker e um
título de "coronel" concedido de forma honorária por um governador do
Estado de Louisiana. Mas Parker era na verdade Andreas Cornelius van
Kuijk, um holandês foragido e de personalidade misteriosa e controversa,
que havia trabalhado em um circo na época em que seu mais famoso
cliente nasceu.
Pois esse cliente é mesmo Elvis, e conta a
história que as relações profissionais de Tom Parker com Elvis não
renderam uma grande amizade e Elvis, com o tempo, seria prejudicado
pelas pressões empresariais de Parker.
Mas em 1955 Elvis estava
começando seu sucesso e ele sai da Sun para gravar seus discos na RCA
Records (hoje Sony Music). É dessa época sua melhor fase, pois, juntando
o período 1953-1955 ao de 1956-1959 (com ainda bons momentos até cerca
de 1961), Elvis desenvolve um repertório musical de canções de rock,
canções românticas e blues, de primeira. Sucessos como "Jailhouse Rock",
"Blue Suede Shoes", "Love Me Tender" e "It's Now Or Never" (esta
calcada na canção italiana "O Sole Mio" popularizada por Mario Lanza),
são uma boa amostra do talento de Elvis, que já se relacionava
amistosamente com outros cantores de rock na época, como Carl Perkins
(que compôs "Blue Suede Shoes") e Roy Orbison, que ensinou acordes de
violão a Elvis. Em 1961, com "Marie's the Name (His Latest Flame)",
Elvis ainda mostrava pronto para gravar grandes canções.
Na
década de 60, a decadência de Elvis não se dá exatamente pela queda de
talento, mas pelas pressões do estrelato que obrigava o cantor a sair da
linha original, priorizando baladas românticas. A repercussão do
serviço militar, entre 1958 e 1960, fez com que Elvis Presley, para
vários de seus fãs, decepcionasse com sua imagem serviçal ao Exército
americano, coisa que contrastava com o símbolo de rebeldia que ele antes
era associado.
Mas foi a carreira cinematográfica, que começou
bem, mostrando o talento de ator de Elvis, que reforçou uma imagem
negativa do cantor para os fãs de rock. Diante de uma fase difícil para o
rock'n'roll, entre 1958 e 1963, a presença de seu ídolo maior em filmes
tematicamente inexpressivos desgastaria em parte seu carisma, abalado
também quando a renovação do rock se efetivaria não através de ídolos
estadunidenses, mas de uma então impensável cena musical de um país
europeu então relativamente provinciano no aspecto musical, a
Grã-bretanha, sobretudo a Inglaterra.
Pois a Inglaterra, através
dos Beatles (banda surgida na cidade de Liverpool, conhecida pela
indústria têxtil), comandou a renovação do rock que fez com que o mito
de Elvis Presley fosse deixado de lado. Elvis passaria a ser associado
às canções românticas e aos compromissos intensos determinados pelo
Coronel Tom Parker. Mas, nessa fase, Elvis Presley se aproxima da soul music, aspecto pouco comentado sobre sua trajetória, a exemplo de Roberto Carlos na fase 1969-1974, também influenciado na soul music, fazendo jus ao aposto comparativo de "Elvis brasileiro".
Em
Junho de 1968, Elvis Presley gravou um especial pela rede de televisão
NBC. A essas alturas ele havia se casado com Priscila Beaulieu, em 1967,
relação que resultou na única filha, Lisa-Marie Presley (que chegou a
se casar com Michael Jackson nos anos 90 e hoje eventualmente ela segue
carreira de cantora). O especial renovou o carisma de Elvis, não mais
como o maior nome do rock, diante de uma porção de bandas e músicos
inovadores - nessa época, por exemplo, o mulato Jimi Hendrix redefiniu
os conceitos de como tocar guitarra - , mas como um cantor de grande voz
e com excelente presença de palco. O especial foi marcado por Elvis num
palco - que parecia um ringue de boxe sem as cordas de isolamento - ,
vestindo casaco e calça de couro, com a orquestra da NBC acompanhando
oculta e o próprio Elvis eventualmente tocando violão.
Elvis, no
entanto, não recuperou sua fase difícil, apesar desse momento único,
porque sua forma física se alterou devido à ingestão de remédios para
manter o pique dos compromissos profissionais intensos. O mesmo problema
que havia matado Carmem Miranda em 1955. Vestindo um macacão branco e
usando costeletas, Elvis, reduzido a um crooner
romântico pelas pressões comerciais de Tom Parker, passaria a década de
70 explorado pelo sensacionalismo jornalístico e em eventos
considerados conservadores, como apresentações em Las Vegas e uma
recepção pelo então presidente americano Richard Nixon (pouco depois
afastado do poder por corrupção), enquanto o consumo de remédios
estimulantes trazia problemas para o cantor. O último deles, a morte de
Elvis Presley, em 16 de agosto de 1977.
Como um grande ídolo, a
morte gerou um forte impacto nas multidões do mundo inteiro e muita
polêmica. Afinal, enquanto uns se comoviam com a perda do grande ídolo,
outras pessoas atribuíram a morte à decadência do cantor. A verdade é
que as pressões do show business
abalaram a vida de Elvis, e sua superexposição no sensacionalismo da
imprensa "marrom" acabou por inspirar a exploração caricata de sua
última aparência, gordo e vestindo um macacão branco.
Depois do
falecimento de Elvis, vários livros, discos e eventos foram lançados
para celebrar a memória do ídolo. Espetáculos de imitação de Elvis
também eram promovidos em vários países do mundo. Nos anos 90, uma
curiosidade é a breve existência do conjunto humorístico Dread Zeppelin
que, baseado num lendário encontro entre a banda de rock inglesa Led
Zeppelin e Elvis, tocava músicas do grupo com o vocal imitado do Rei do
Rock, através de um cantor conhecido como Tortelvis.
Quando Elvis
ameaçava cair no esquecimento pelas gerações recentes, um DJ realizou
uma nova mixagem, com instrumental eletrônico, para um esquecido sucesso
de 1969, "A Little Less Conversation", puxando a coletânea "Elvis"
(2002), que reúne todos os sucessos do cantor e serve de guia para os
iniciantes. Outros sucessos na roupagem eletrônica também vieram, como
"Rubberneckin'" e "Marie's The Name (His Latest Flame".